terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Resenha Recordações da casa dos mortos

Recordações da casa dos mortos do russo Fiódor Mikháikovitch Dostoievski é uma obra prima atemporal quanto as suas posições existencialistas. Por ser tão complexo não pretendo entrar no mérito dos conceitos apresentados e sim na obra com um todo.

Com a irregularidade na história marca registrada de Dostoievski, não temos claramente um meio, começo e fim, e sim uma sequência não muito lógica que se iniciam em sua entrada na prisão em Omsk na Sibéria e a saída da mesma após dez anos, neste meio tempo ele conta diversos causos, quase sempre indo e voltando nos assuntos, que não incluem o seu próprio crime, fato irrelevante durante a jornada.

O livro é baseado nas experiências reais de Dostoievski durante o tempo em que foi preso, e como nobre pode observar de uma perspectiva privilegiada da "sociedade" de dentro do presídio. Por isso ele utiliza diversas metáforas e de uma forma visceral detalha a história de vários "camaradas" como forma de narrar estas incríveis estórias.

O crime, a culpa, o medo e os preconceitos da prisão para com qualquer indivíduo, tanto os soldados quanto os prisioneiros, tudo isso de forma até bem humorada de vez enquando.

Aleksandr Pietróvitch é o narrador criado por Dostoievski nesta história, homem que mostrará os dois lados da moeda e a forma tácita como um presídio pode nivelar as relações entre os seus ocupantes, criando uma indelével lembrança em suas mentes.

Adorei este livro como primeira leitura de Fiódor, espero poder ler em breve outras obras primas deste autor em breve.


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